Novela. Velho Chico.

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É primavera / Curam tristezas / Tudo muda demais por aqui

Aos poucos, essa história foi fisgando minha atenção. Não precisou de muito pra consegui-la por inteiro: as cenas que me levaram à alma do nordeste, a trilha privilegiada com a voz de nomes como Caetano, Raul, Gal e Maria Bethânia, e o enredo de infinitas riquezas.

Uma teledramaturgia que levantou questões que precisam ser repensadas, todos os dias.

A terra seca. Natureza a deriva. O orgânico. Não mecânico.
O povo indígena. Fulni-ô.
O ódio sustentado em nada. O ódio que cega. Sobrecarrega.
O orgulho que distancia, corrói, machuca. O arrependimento, às vezes tardio.
O tempo que não volta. Revolta. Mas que deixa tudo no tempo certo.
Ainda que se leve alguns anos (talvez trinta).
O amor. Das suas infinitas formas. O perdão. Devoção.
A persistência. Luta. Crença.

A tristeza da ganância.  O poder que desampara.

Senhor cidadão / Me diga por quê / Você anda tão triste? / Não pode ter nenhum amigo/ Na briga eterna do teu mundo / Senhor cidadão / Tem que ferir ou ser ferido / Senhor cidadão / O cidadão, que vida amarga

A preciosidade da vida.  A morte.

A morte que era só ficção. Só um mergulho no Chico. Uma limpeza na alma. Difícil de entender, até estranho. A vida se recusou a imitar a arte por uma questão de segundos. Aí, tudo muda. O homem vira protetor, disse o índio.

“Minha vida começou aqui nesse picadeiro, e aqui ela não vai terminar nunca, porque ela é maior do que eu. Só não é maior que o meu circo.” recitou o palhaço, que agora se ausenta do picadeiro deixando inevitavelmente os risos mudos. Jogando na nossa cara, mais uma vez, que a vida é feita disso: se atirar, criar laços, semear coisa boa.

A vida é hoje. Agora. Aqui. Nesse segundo.

O Domingos, sempre dos Anjos, encerra seu espetáculo deixando boas memórias em quem viu e deixa Santo assistindo, através de um impecável trabalho, o desfecho da sua batalha que, apesar de ter acabado antes do previsto, jamais terá fim.

Aplausos ao elenco, autores, direção e produção.
Em especial à Camila Pitanga, Terê, Gerente das Cutruvias.
Aos telespectadores sensíveis e empáticos.

Me despeço dessa história, com olhos lacrimejados, destacando uma música que resumiu, desde o início, tudo:

 

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